Arquivo | abril, 2013
Vídeo

Cantinho da História 13: Revolução Russa

28 abr

Décimo terceiro episódio da série educativa Cantinho da História, versando sobre a Revolução Russa, a pedido (via facebook) de Marcos Henrique.

Anúncios
Vídeo

Cantinho da História 12b: União Soviética

20 abr

Parte b do décimo segundo episódio da série educativa Cantinho da História, versando sobre a União Soviética, a pedido (via facebook) de Marcos Henrique.

Vídeo

Cantinho da História 12a: União Soviética

20 abr

Esta é a parte a do décimo segundo episódio da série educativa Cantinho da História, versando sobre a União Soviética, a pedido (via facebook) de Marcos Henrique.

Vídeo

Cantinho da História 11: Culturas Pré-colombianas

14 abr

Décimo-primeiro episódio da série educativa Cantinho da História, atendendo à solicitação (via youtube) de brudmoreira sobre culturas précolombianas.

SOBRE MARGARETH TATCHER

11 abr

Não questiono a importância histórica dessa senhora, uma vez que as consequências de seus atos ainda estão presentes no domínio da nossa realidade. Questiono veementemente aqueles que defendem suas atitudes, alegando que devemos separar a política da militância feminista e reconhecer a grande mulher que ela foi… Posso entender que certos setores da direita neoliberal entoem odes à musa da privatização, mas não que ela se torne uma referência de gênero para qualquer feminista, quer de direita ou esquerda.

 

Eu estava para completar dezessete anos em 1981 quando Bobby Sands realizou sua greve de fome e acompanhei dia a dia (na medida em que a censura do período militar permitiu) sua agonia, enquanto a dita “dama de ferro” sorria e se recusava a comentar. O sorriso desse rapaz na única foto veiculada na nossa mídia se gravou de tal maneira em minha mente que, meses atrás, vendo Anthony Bourdain visitar um muro na Irlanda, que reproduzia esse rosto, meus olhos ainda se encheram de lágrimas. Eu não esqueço…

 

E não esqueço dos mineiros e dos outros grevistas que essa senhora derrotou com requintes de perversidade, das famílias que despejou e do caos econômico que suas ideias megalômanas criaram… Ao longo da década de oitenta foi essa senhora que me afastou definitivamente de certo feminismo que via como vitória a ocupação do poder, mesmo quando exercido da maneira mais calhorda possível. Que vitória foi essa afinal?

 

Sempre considerei e considero que minha lealdade maior e principal é com o gênero humano e não com a identidade de gênero feminino, socialmente construída, que hoje compartilhamos. Nesse sentido, repito incansavelmente o que disse a uma feminista uspiana há uns quinze anos atrás: NÃO SE COMBATE OPRESSÃO DE GÊNERO PRATICANDO OPRESSÃO DE CLASSE. Para mim, Margareth Tatcher merece ser execrada, junto a Ronald Reagan, João Paulo II e tantos outros que tornaram a vida dos trabalhadores ainda mais miserável, em defesa dos privilégios de setores minoritários do poder econômico.

 

Dito isto, devo afirmar que não desmereço as lutas feministas, ao contrário!!!! Considero-me pós-feminista porque não acredito que para conquistar igualdade e respeito devamos transformar os homens em inimigos e usar as mesmas ferramentas que nos oprimiram durante milênios. Dou muito valor ao meu papel social de mãe e companheira e sempre briguei pelo direito de lutar lado a lado com meu marido pela construção de um mundo melhor. PARA TODOS!!!!

 

É claro que a misoginia me ofende e que as injustiças me revoltam. Mas não é defendendo mulheres lastimáveis como Margareth Tatcher que vamos conseguir superar a opressão política e religiosa que nos persegue. Especialmente porque essa senhora foi um dos principais defensores dessa opressão em seu país e no Terceiro Mundo em particular.

 

Sou solidária com toda a força do meu caráter aos sobreviventes da década de oitenta que saíram às ruas para comemorar a morte da “dama de ferro”, por mais grotesco que isso pareça. Afinal, a morte de sua principal algoz foi a única reparação que essas pessoas receberam até hoje, após terem sido sacrificadas no altar erguido pelo neoliberalismo ao deus-mercado… E se alguém ainda não percebeu que a crise que assola a Europa hoje somente foi possível graças à ideologia defendida por Margareth Tatcher, então é melhor ir correndo estudar História…

Vídeo

Cantinho da História 10: O paradigma indiciário.

7 abr

Décimo episódio da série educativa Cantinho da História, versando sobre o paradigma indiciário, Carlo Ginzburg e teorias de história.

SOBRE PRINCESAS E MULHERES QUE NÃO SE DÃO AO RESPEITO…

2 abr

Tem sido a prática sistemática das elites ocidentais desde sempre responsabilizar os pobres por sua pobreza e pelas sequelas decorrentes de sua condição. Desde a sociedade vitoriana que incentivava o excedente de mão de obra para manter os salários baixos, e mesmo assim criticava a “ociosidade” e a “vagabundagem” dos pobres. É claro, o ócio é para os ricos…

Do mesmo modo, hoje vemos um fenômeno similar na sociedade estadunidense, quando as circunstâncias impedem totalmente que os pobres se alimentem adequadamente, devido à barbárie do meio consumista, e mesmo assim são criticados acerbamente por consumir junk food e desenvolver altos níveis de obesidade e as doenças que lhe são correlatas…

Entretanto, muito perto de nós um fenômeno idêntico está acontecendo e apenas a hipocrisia nos impede de percebê-lo. Está sendo cansativo acompanhar as redes sociais devido à constante divulgação de posts oriundos da pior mentalidade de classe média, que criticam e moralizam sobre a condição dos pobres. Nem vou entrar no mérito das críticas ao projeto bolsa-família ou às cotas universitárias, que já são suficientemente preconceituosos por si…

Refiro-me especialmente às críticas constantes que as meninas que frequentam bailes funk recebem na rede.

E friso: ESSAS MENINAS ESTÃO SENDO CRITICADAS NÃO POR VESTIR POUCA ROUPA OU REBOLAR (SENÃO MUITAS ATRIZES GLOBAIS TAMBÉM O SERIAM) ELAS ESTÃO SENDO ACHINCALHADAS PORQUE SÃO POBRES, NEGRAS E NÃO SE ADEQUAM AOS PADRÕES DE BELEZA MIDIÁTICOS. É simples assim!!!

A mídia oferece apenas esse modelo de comportamento para a maioria das jovens que se encontram na pobreza: a vulgaridade está no bbb e nas novelas, não surgiu por acaso. Essas meninas não têm parâmetros para analisar e criticar o fenômeno, uma vez que a escola é deficitária e não transmite conteúdo crítico e a mídia glorifica esses comportamentos quando são praticados por mulheres “bonitas” (leia-se brancas, de classe média e no padrão exigido de beleza).

Homens que dividem as mulheres entre aquelas que se dão ao respeito e as que não, apoiam  (mesmo que não percebam) a cultura do estupro e a criminalização da pobreza. Mas são homens e somos obrigadas a dar um desconto porque foram criados assim… Triste mesmo é ver mulheres produzindo e reproduzindo esse tipo de discurso de exclusão lastimável, porque acreditam ter alguma superioridade moral, resultado de alguns centímetros a mais de tecido sobre o corpo…