SOBRE PRINCESAS E MULHERES QUE NÃO SE DÃO AO RESPEITO…

2 abr

Tem sido a prática sistemática das elites ocidentais desde sempre responsabilizar os pobres por sua pobreza e pelas sequelas decorrentes de sua condição. Desde a sociedade vitoriana que incentivava o excedente de mão de obra para manter os salários baixos, e mesmo assim criticava a “ociosidade” e a “vagabundagem” dos pobres. É claro, o ócio é para os ricos…

Do mesmo modo, hoje vemos um fenômeno similar na sociedade estadunidense, quando as circunstâncias impedem totalmente que os pobres se alimentem adequadamente, devido à barbárie do meio consumista, e mesmo assim são criticados acerbamente por consumir junk food e desenvolver altos níveis de obesidade e as doenças que lhe são correlatas…

Entretanto, muito perto de nós um fenômeno idêntico está acontecendo e apenas a hipocrisia nos impede de percebê-lo. Está sendo cansativo acompanhar as redes sociais devido à constante divulgação de posts oriundos da pior mentalidade de classe média, que criticam e moralizam sobre a condição dos pobres. Nem vou entrar no mérito das críticas ao projeto bolsa-família ou às cotas universitárias, que já são suficientemente preconceituosos por si…

Refiro-me especialmente às críticas constantes que as meninas que frequentam bailes funk recebem na rede.

E friso: ESSAS MENINAS ESTÃO SENDO CRITICADAS NÃO POR VESTIR POUCA ROUPA OU REBOLAR (SENÃO MUITAS ATRIZES GLOBAIS TAMBÉM O SERIAM) ELAS ESTÃO SENDO ACHINCALHADAS PORQUE SÃO POBRES, NEGRAS E NÃO SE ADEQUAM AOS PADRÕES DE BELEZA MIDIÁTICOS. É simples assim!!!

A mídia oferece apenas esse modelo de comportamento para a maioria das jovens que se encontram na pobreza: a vulgaridade está no bbb e nas novelas, não surgiu por acaso. Essas meninas não têm parâmetros para analisar e criticar o fenômeno, uma vez que a escola é deficitária e não transmite conteúdo crítico e a mídia glorifica esses comportamentos quando são praticados por mulheres “bonitas” (leia-se brancas, de classe média e no padrão exigido de beleza).

Homens que dividem as mulheres entre aquelas que se dão ao respeito e as que não, apoiam  (mesmo que não percebam) a cultura do estupro e a criminalização da pobreza. Mas são homens e somos obrigadas a dar um desconto porque foram criados assim… Triste mesmo é ver mulheres produzindo e reproduzindo esse tipo de discurso de exclusão lastimável, porque acreditam ter alguma superioridade moral, resultado de alguns centímetros a mais de tecido sobre o corpo…

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