Arquivo | julho, 2013
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Cantinho da História 25: Calígula

27 jul

Vigésimo quinto episódio da série educativa Cantinho da História, versando sobre algumas questões referentes ao filme Calígula (Tinto Brass), a pedido de Danilo Fernandes via Facebook.

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Cantinho da História 24: bruxas, duendes e dragões

21 jul

Vigésimo quarto episódio da série educativa Cantinho da História, versando sobre a necessidade de entender a mitologia subjacente aos elementos do imaginário popular: bruxas, duendes e dragões.

DE JOHNNY QUEST A BOB ESPONJA: Racismo, mais-valia e o difícil aprendizado do outro.

19 jul

O universo dos desenhos animados vem adquirindo complexidades múltiplas nos últimos cinquenta anos. A multiplicação de estúdios e o intercâmbio de referências culturais entre ocidente e oriente enriqueceram o repertório de percepções e personagens disponíveis no universo infantil e infantojuvenil. Algumas comparações surgem naturalmente, outras são mais sutis.

 

Quando eu estava com nove anos, de 1973 para 1974, Johnny Quest era um desenho de aventuras exibido por toda a América Latina, tanto que permanece em minhas lembranças tanto a dublagem ao espanhol, quanto ao português. Era um desenho com formato hiper-realista, em que as personagens humanas e animais podiam ser vistas exatamente pelo que eram, diferente do universo de cães, ursos e gorilas falantes vestindo roupas a que estávamos acostumados. Hoje eu acredito que essa estética sofria a influência dos animes japoneses que começavam a tornar-se presentes na programação ocidental.

 

A estética hiper-realista de Johnny Quest conferia-lhe uma identidade própria e a possibilidade de que, em algum lugar existisse mesmo um menino, filho de cientista, vivendo grandes aventuras. E por mais que gostasse de Maguila, Dom Pixote e do patinho Saturnino, eles pareciam pateticamente infantis diante do universo “vida real” do Johnny e do Hadgi, seu amigo. Entretanto, ao tornar-me adulta, essa percepção mostrou-se ridiculamente errônea.

 

Recentemente tive oportunidade de assistir a alguns episódios, numa onda de saudosismo dessas que surgem quando ultrapassamos a barreira dos “quarenta”, e surpreendi-me com o caráter evidentemente racista do mundo dos Quest. Mais importante, foi a minha jovem filha de dezessete anos quem identificou e transformou em palavras o meu desconforto ao desconstruir alguns dos discursos das personagens. “Como as pessoas da época não percebiam até que ponto o racismo estava presente na narrativa e na visão de mundo dos autores desse desenho?”

 

Essa pergunta que vem me atormentando há meses é o que está por trás desta reflexão. O mundo dos Quest era mundo da Guerra Fria e o modo como os países asiáticos e seus povos eram retratados ressentia-se diretamente disso, do mesmo modo que a visão de mundo do Dr. Quest era tida como racional e científica (mesmo a serviço de uma potência imperialista) em contraposição às personagens nativas e de outras nacionalidades que eram exageradas em seu primitivismo e venalidade. O tratamento dado a chineses e japoneses em alguns episódios chega a ser nauseante de tão eivado de preconceito.

 

Alguns dos desenhos da minha infância eram bem ao gosto das bancadas de fundamentalistas religiosos do nosso Congresso. Reforçavam o estereótipo desejável da família pequeno-burguesa branca e perfeitamente engajada no “american way of life”, perseguindo o “american dream”. E talvez por isso tantos dos meus contemporâneos desejassem ardentemente abandonar o Brasil e sonhassem com o mundo perfeito dos subúrbios americanos.

 

Havia desenhos de fantasia e aventuras e de animais domésticos em situações exageradas. Havia desenhos japoneses de inacreditável qualidade narrativa e outros mais nonsense, mas não os chamávamos de anime porque nem sabíamos que era disso que se tratava. Sou da primeira geração urbana que cresceu com a televisão como companhia enquanto os pais trabalhavam e só agora após tanto tempo posso avaliar o que isso significa.

 

Nos últimos vinte anos, venho acompanhando as animações oferecidas nos canais a cabo, primeiro como mãe junto à minha filha e depois como historiadora avaliando o impacto desse tipo de entretenimento na educação. A liberdade narrativa evoluiu muito da minha infância aos dias de hoje e isso talvez explique, em parte, porque as novas gerações têm visões de mundo tão diferentes e expectativas da vida tão variadas, mesmo quando apresentam um perfil social semelhante. A variedade do entretenimento oferecido parece gerar a identificação com diversos conjuntos de valores que remetem à nossa cultura ocidental ou às culturas do oriente, conforme a preferência do público.

 

E existe um discurso social incutido até nas animações mais inesperadas. Meus pais costumavam sempre alertar-nos para a propaganda anticomunista presente no entretenimento de origem estadunidense, o que – pessoalmente – me levou a sempre desconfiar das agendas ideológicas presentes em qualquer tipo de produção cultural. Nesse sentido, sempre procurei acompanhar de perto as preferências da minha filha para ver a que tipo de ideologia sua geração estava sendo exposta, e tive gratas surpresas.

 

Minha filha aprendeu tudo de exploração capitalista vendo o Sr. Siriguejo maltratar o pobre Bob Esponja. Aprendeu que existem muitos tipo de amor, inclusive entre pessoas do mesmo sexo, e que isso é natural, vendo Sailor Moon. Aprendeu a apreciar o humor nonsense vendo A vaca e o frango, e por isso pude apresentar-lhe o Monthy Pyton muito mais cedo do que eu mesma os conheci, na certeza de que estaria apta a apreciar seu humor.

 

Isso refletiu-se em suas escolhas de brinquedos. Minha filha brincou com Barbies porque isso era inevitável, dado o assédio da propaganda, mas as três bonecas que mais arrastou pela casa, deu comida, brincou de escolinha e dormiu abraçada foram a Emília do Sítio, a Biba do Castelo Rá Tim Bum e a Julieta, que era um bebê clássico. E fiz para ela com restos de panos uma réplica da cobra Celeste e do lagarto Harry dos Animais Extraordinários porque eram seus favoritos.

 

Personagens excêntricos como Ele das Meninas Superpoderosas, ou o Bum-de-fora, presente em várias animações do Cartoon Network, abriram sua perspectiva mental para a aceitação do diferente e da diversidade como valores positivos. Do mesmo modo como o mundo dos animes com suas heroínas destemidas mostrou-lhe que havia mais de um lugar social para a mulher além do lar. Esses desenhos foram meus aliados em sua educação e proporcionaram-nos também momentos inesquecíveis de proximidade ao assisti-los e comentá-los juntas.

 

Nesse sentido, criamos um hábito que persiste mesmo agora que minha filha é uma jovem vestibulanda, ainda sentamos à noite ou aos finais de semana para assistir juntas ao Apenas um Show e à Hora de Aventura. Só que também gostamos de documentários britânicos, animes do Estúdio Ghibli e séries e filmes sobre psicopatas. Gostamos de compartilhar análises sobre o entretenimento e seu impacto na imaginação e na formação do indivíduo e refletir sobre a realidade que nos cerca e como é retratada nos desenhos. E nos divertimos muito com isso.

 

Há ainda muito preconceito e visões de mundo imperialistas nos desenhos animados que oferecemos às nossas crianças e isso deveria preocupar-nos muito mais na hora da classificação indicativa do que o fato de apresentarem cenas de sexo ou violência. Eu tive muita sorte de ter à disposição um arsenal variado de opções para oferecer à minha filha, tanto nacionais quanto internacionais, isso enriqueceu sua infância e humanizou sua visão do “outro”, da alteridade presente na diferença. Gosto muito da pessoa que a minha filha se tornou e detesto quando o mérito disso é atribuído apenas à educação formal, tenho muito a agradecer à escola, mas também não posso jamais esquecer da Sakura, da Mulan, das meninas de Sailor Moon, e de todos os personagens malucos da Nickelodeon e do Cartoon Network.

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Cantinho da História 23: doutrina espírita

15 jul

Vigésimo terceiro episódio da série educativa Cantinho da História, respondendo à questão de Renyer Costa ( enviada via youtube) sobre a doutrina espírita.

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Cantinho da História 22: a estrutura republicana

7 jul

Vigésimo segundo episódio da série educativa Cantinho da História, abordando a estrutura republicana no Brasil, por sugestão de Ismênia Tupy.