Arquivo | setembro, 2013
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Cantinho da História 40: Evolução e pré história

29 set

Quadragésimo vídeo da série educativa Cantinho da História, abordando a evolução humana e a pré-história, a pedido de Danilo Fernandes.

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Cantinho da História 39: Arquitetura e História

29 set

Trigésimo nono episódio da série educativa Cantinho da História, abordando aspectos da História da Arquitetura, a pedido de Bruno Boldrini.

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Cantinho da História 38: Fontes e suporte teórico para o Islã medieval

22 set

Trigésimo oitavo episódio da série educativa Cantinho da História, abordando aspectos teórico-metodológicos no estudo do Islã medieval, a pedido de Célia Danielle.

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Cantinho da História 37: Foucault e a Arqueologia do Saber

22 set

Trigésimo sétimo episódio da série educativa Cantinho da História, abordando aspectos da obra de Michel Foucault, a pedido de André Luis Guimarães.

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Cantinho da História 36: Os templários

15 set

Trigésimo sexto episódio da série educativa Cantinho da História, abordando alguns aspectos sobre Ordem dos Templários, a pedido de Luis Felipe Marchio.

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Cantinho da História 35: Para uma História da África e dos africanos no Brasil

15 set

Trigésimo quinto episódio da série educativa Cantinho da História, abordando as possibilidades de novos paradigmas para a História dos povos africanos e seu papel na História do Brasil, a pedido de Suelen Kovacs.

O suposto mensalão, as novas esquerdas e as perspectivas da ação política.

12 set

Está cada dia mais difícil defender um ideário socialista (em qualquer de suas variantes: comunista, anarquista ou social democrata), dada a decadência dos discursos e das práticas dos agentes sociais que assim se intitulam.

 

O Partido dos Trabalhadores fez tantas concessões, para alcançar e permanecer no poder, que hoje se encontra totalmente descaracterizado e abriga todo tipo de oportunistas em suas hostes.

 

O que não significa necessariamente que devamos engrossar o coro raivoso e histriônico da classe média que urra pela prisão dos “mensaleiros”, ecoando todo tipo de tolice que a mídia veicula diariamente.

 

A atuação da maioria daqueles que deveriam zelar pelo respeito ao texto constitucional, no processo em questão, extrapolou o bom senso. A condenação sem prova, utilizando-se de uma interpretação totalmente equivocada da teoria do domínio do fato, permite agora aos réus, ou boa parte deles, a possibilidade de se safarem sem maiores percalços.

 

Tivesse o Supremo defendido a Constituição (ao invés de se acovardar perante a grande mídia) e processado os réus pelo único crime de fato existente, que foi o uso do Caixa Dois, e hoje não estaríamos prestes a protagonizar outra farsa rocambolesca.

 

Chegamos a um ponto em que se as condenações se mantiverem e os réus enviados à prisão (como querem os saudosistas da ditadura), seremos alvo de processo na corte da OEA e novamente condenados por nossa omissão perante uma flagrante violação dos direitos do cidadão.

 

E, no caso de anulação das condenações, assistiremos à baixaria da mídia corrupta desestabilizando o estado de direito para eleger um novo gabinete da pior direita que existe.

 

E, ao menos uma vez na vida, sejamos honestos e admitamos que esta situação não foi criada e nem promovida pelo PT, é o resultado de décadas de patrimonialismo, nepotismo e corrupção generalizada que atingem nossa democracia capenga desde muito antes do PT existir.

 

É nesse cenário que, devido à desilusão com a política partidária e as estruturas da representação pública, tem surgido uma esquerda nihilista e inconsequente que envergonha os anarquistas e comunistas do passado.

 

Do mesmo modo que envergonham àqueles que respeitam as lutas dos que tanto batalharam para a divulgação destas ideias, e que ainda hoje sofrem com o preconceito e ignorância de uma sociedade que teima em deturpar estas ideologias sem conhecê-las.

 

São estes “neo” anarquistas, em sua maioria, jovens que defendem um enfrentamento violento com o poder instituído, bem como plataformas que são um insulto ao próprio conceito de liberdade, como a necessidade de todos nos tornarmos ciclistas e veganos.

 

Sem qualquer contato com a realidade social do país, partindo de um conjunto de clichês e palavras de ordem que não encontram eco no meio popular, defendem a destruição total das estruturas vigentes para depois construir um novo mundo.

 

Qual será esse mundo? A grande maioria não sabe, parece que esperam que a solução se revele “no processo”… Mas não levam em consideração aos idosos, deficientes, crianças ou qualquer um que não possa ou não queira adaptar-se ao que acreditam ser um mundo mais “justo”.

 

Estes “neo” militantes, que acreditam ter “inventado a pólvora”, não se dão ao trabalho de pelo menos ler o que já foi escrito para não repetir os mesmos erros.

 

Passam pelo paradoxo de defender uma liberdade sem limites, ao mesmo tempo em que sendo uma minoria social completamente inexpressiva, esperam impor suas ideias à totalidade da sociedade, mesmo que esta não queira.

 

Alguns ainda acreditam que o “povo” vai acordar e segui-los, outros nem se importam tal o afã de destruição adolescente que celebram. Se dizem anarquistas, mas não tem o mínimo respeito pelo legado das gerações anteriores à ideia e se pavoneiam por ai dizendo que estão “fazendo a revolução”, quando na verdade estão desestabilizado um regime democraticamente constituído e abrindo passo à intervenção da extrema direita com o aval dos EUA.

 

Exatamente por sua juventude e impaciência, não se dão ao trabalho de ler e dialogar com os outros setores sociais e se pensam donos de verdades insuperáveis, mesmo que na prática, até o momento, só tenham conseguido despertar o que existe de pior na sociedade: a repressão policial e o obscurantismo dos conservadores.

 

É muito fácil urrar por sangue quando se é jovem, sem nada a perder, e com os pais sempre perto para cobrir sua retaguarda em caso de encrencas… Eu, que estou beirando os cinquenta, já vi guerra demais, dor demais, sofrimento demais para cometer a irresponsabilidade de apoiar quem defende a guerra civil.

 

Se existe algo que se aprende com a idade é a percepção da alteridade e a capacidade de diálogo com diferentes pontos de vista, quando não a arte da convivência em sociedade.

 

Porque não adianta nada dizer-se de esquerda e posar de radical quando não se respeita as mínimas normas de civilidade e respeito ao próximo. Que esquerda é essa?

 

Seja qual for o rótulo que a História dará aos revoltosos destes dias, posso dizer que como indivíduo essas ideias e essas pessoas NÃO me representam.