PEQUEÑA NARRATIVA SOBRE LA REALIDAD NEOLIBERAL

23 mar

Sem susto que o texto vai em português mesmo. Utilizei o espanhol no título para remeter ao breve estudo de caso que pretendo realizar aqui. Trata-se da Espanha e por isso a licença poética.

 

Quantos ainda se lembram da crise financeira de 2008? Vários dos mais importantes bancos de investimentos “bombaram” carteiras de títulos imobiliários (com baixíssimas perspectivas de resgate) e os venderam a outros bancos menores, que os venderam a seus correntistas, que não sabiam em que estavam investindo. Pessoas de classe média na Europa e nos EUA hipotecaram suas casas para investir nessas carteiras de títulos podres porque a promessa de remuneração era muito sedutora, embora totalmente fictícia.

 

Os executivos que repassaram esses títulos aos bancos e os gerentes de contas que os venderam a seus correntistas embolsaram bônus milionários de produtividade. Fortunas absolutamente voláteis mudaram de mãos durante uns dois ou três anos. Em 2008 a bolha estourou, bancos faliram, os governos tiveram que socorrer a economia que ameaçava um efeito dominó semelhante ao de 1929, mas ninguém pensou em indenizar os correntistas. Eles investiram em um mercado de alto risco, sem sequer saber do que tratava (confiando em seus gerentes e contadores) e perderam seu dinheiro, suas casas e seus futuros.

 

Um dos casos mais dramáticos foi o da Espanha, que por conta disso caiu nas garras da tróika da União Europeia e mergulhou em um nunca acabar de misérias.

 

Um dos fenômenos mais impactantes foi o dos suicídios. Aposentados, pais de família que chegaram a matar os próprios filhos e depois se suicidar, casais de idosos, várias centenas em um período de menos de dois anos (fenômeno que se alastrou pela Europa e pelos EUA alcançando o número de dez mil suicídios nesse período). Era um tormento ligar o noticiário da TVE e ouvir os dramas cotidianos de famílias jogadas na rua e suicídios dos mais grotescos.

 

E então a classe média indignada saiu às ruas para protestar e protestou e muitos de nós repostamos seus protestos porque nos pareciam justos, afinal, era uma crise do capitalismo e as pessoas estavam sendo esfoladas vivas para continuar sustentando o sistema e os privilégios de sempre. E vieram as eleições e os indignado elegeram Mariano Rajoy…

 

Mariano Rajoy, garboso expoente da mais arbitrária direita “papamissas”, hipócrita e farisaica, ligada à Opus dei (isso lembra alguém?). Mariano Rajoy, envolvido em escândalos de corrupção e defensor anacrônico do franquismo. Eleito pelos indignados para consertar a Espanha, Rajoy aproveitou para desmantelar a seguridade social e implantar quanta barbaridade a tróika exigisse, em troca de financiamento que jamais chegou ao povo espanhol, mas que enriqueceu a seus asseclas e manteve o “financeirismo”, relegando a conta à população trabalhadora.

 

E assim a Espanha se apequenou mais e mais. No rastro da indignação surgiu o Podemos, partido que se diz de esquerda mas é incapaz de formar uma coalizão com o PSOE, a Izquierda Unida, Esquerra Republicana de Catalunya e outros tantos partidos menores de esquerda e centro-esquerda. Assim, o PP de Rajoy se mantém no poder após impasses que chegaram a durar mais de um semestre.

 

E vale esse registro todo porque devemos pensar que a agenda neoliberal não ganha eleições, não é compatível com regimes democráticos e nem sequer é compatível com as constituições da maioria dos países civilizados. A agenda neoliberal vem sendo insidiosamente imposta na rabeira das crises econômicas e institucionais. Imposta a governos dóceis por organismos internacionais, como é o caso da Espanha, ou por governos ilegítimos e golpistas, a despeito da vontade popular, como é o nosso caso.

 

Sempre travestida de programa de salvação nacional, como castigo para governos de esquerda que “esbanjam” orçamento com seguridade social, essa agenda pode ser imposta pelos grandes bancos, pelas agências de fomento ou pelas classificatórias. Ou pode ser abraçada por uma súcia de congressistas mercenários dispostos a sangrar o erário público até a exaustão, e depois voltar a seus feudos regionais, como se nenhuma responsabilidade lhes coubesse na miséria que assolará o país. Sacripantas que chamam seus privilégios de “direitos” e a seguridade social de “privilégio”.

 

Parasitas capazes de imolar três gerações inteiras de cidadãos no altar do neoliberalismo, em troca de suas trinta moedas de prata. E o fazem debochando de nós cidadãos, amparados por uma mídia rancorosa cheia de “gusanos” e por uma casta judiciária narcisista. E há quem festeje…

 

Delenda Lula, delenda PT, delenda Brasil de todos nós…

Anúncios

2 Respostas to “PEQUEÑA NARRATIVA SOBRE LA REALIDAD NEOLIBERAL”

  1. Hortência Nonato junho 4, 2017 às 9:13 pm #

    Prezada,

    Hoje tirei a tarde para me atualizar do seu blog. E entre uma leitura de texto e outra percebo que embora sejam claros e de fácil compreensão ainda me remetem ao “PRIBERAM”(dicionário online). É delicioso fazer isso, OBRIGADA!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: