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Fyodor Dostoievski

26 ago

E aqui estou novamente indicando um autor ao invés de um livro. Passei uma boa parte da juventude apaixonada por Dostoievski e ainda o considero um escritor dotado de raro talento para retratar o sofrimento humano e se solidarizar com seus personagens. Sua vida acidentada e atormentada ditou o ritmo de suas obras e fornece um contraponto interessante aos autores que lhe foram contemporâneos.

Recomendo:

O idiota

Crime e castigo

Noites Brancas

Humilhados e ofendidos

Os irmãos Karamazov

E depois, se vocês gostarem, podem se aprofundar em títulos mais obscuros, pesados e com farto conteúdo autobiográfico como

Recordações da casa dos mortos.

Sempre imagino que, na grande fraternidade dos escritores, Dostoievski e Lima Barreto são irmãos gêmeos separados pelo destino.

José Saramago

14 jul

Da primeira vez que tomei contato com Saramago, eu me encontrava com vinte anos (pouco mais ou menos), o livro era A jangada de pedra, e não gostei. Não entendi nada e me custou muito acompanhar as complexidades da narrativa. Demorei mais vinte anos para redescobrir este autor fantástico. Ainda não reli  A jangada…, mas aprendi a apreciar seu estilo narrativo e seus ácidos comentários sobre o ser humano e seu viver. Foi assim que descobri que cada autor tem seu momento em nossas vidas e que muitas vezes a falta de maturidade e vivência são os fatores que nos levam a desgostar de um determinado autor, quando em outro momento de nossas vidas tudo passa a fazer sentido e nos apaixonamos por aquele que mal tolerávamos. Recomendo meus favoritos:

As intermitências da morte.

Ensaio sobre a cegueira.

Caim.

História do cerco de Lisboa.

Ensaio sobre a lucidez.

Leiam com atenção, não é um autor para sapear aqui ou ali enquanto se olha o facebook, é um escritor dedicado que requer igual compromisso para que a leitura seja completa e adequada, mas vale a pena!

Affonso Henriques de Lima Barreto.

24 jun

Hoje não recomendo um livro e sim um autor. Lima Barreto é um dos meus favoritos de língua portuguesa, de todos os tempos. Seu texto é apaixonado, sua narrativa emocionante e sua capacidade de retratar a própria época inigualável. Não concordo com aqueles que o opõem a Machado de Assis, prefiro pensar que um complementa o outro ao oferecer um panorama do Brasil imperial e republicano imperdível para quem se interessa por boa literatura e por história. Incompreendido, perseguido e várias vezes confinado ao sistema manicomial, devido à sua adicção ao alcoól e à profunda melancolia que o perseguia sem trégua, Lima Barreto retratou uma extensa galeria de personagens trôpegos, derrotados, quixotescos, impotentes perante o destino e, mesmo assim, profundamente humanos no mais patético dos sentidos. Impossível não identificar-se com Policarpo ou Isaías. Impossível ler e não tomar partido. Impossível não perceber a atualidade de suas análises sobre a política brasileira em Os Bruzundagas. Aqui vai uma lista, para quem jamais leu Lima Barreto:

Triste fim de Policarpo Quaresma.

Recordações do escrivão Isaías Caminha.

Clara dos Anjos.

Os Bruzundangas.

A nova califórnia.

Numa e a ninfa.

E por ai vai… Quem ainda não leu pode começar por Isaías Caminha, que tem um formato um pouco mais convencional e depois se aventurar pelos contos e crônicas ou pelos outros romances. Não vai se arrenpender!

Vida – de Keith Richards e James Fox.

24 abr

Amei este livro. É irreverente, comovente, badass e interessantíssimo. Nunca fui uma grande fã dos Stones, gosto de uma música ou outra mas mudei muitas das minhas opiniões ao ler esta biografia. Richards é um cara como qualquer um de nós que saiu do meio pobre e se educou por ai. É inteligente, malicioso, não se endeusa e nem se desculpa. Dá um panorama bem realista e sem pudores ou mitos sobre o auge do rock e a vida de seus contemporâneos. Vale a pena.

As vinhas da ira – John Steinbeck.

24 abr

Se você já viu ou vai ver o filme, complete a experiência lendo o livro. Steinbeck foi um dos maiores de sua geração, o que não é pouca coisa já que seus contemporãneos foram Hemingway e Faulkner (isso para ficar só nos EUA). Na década de ’30, o meio-oeste estadunidense foi assolado por tempestades de areia de proporções gigantescas, que causaram devastação e desertificação. Isso somado à depressão que se sucedeu à quebra da bolsa de valores em ’29, criou o cenário de miséria, abandono e grandes migrações humanas em busca de comida e trabalho. Neste cenário, Steinbeck deu nova dimensão ao romance e criou uma das maiores obras da literatura universal.

Música ao longe – de Érico Veríssimo.

24 abr

Pequena jóia despretenciosa dentro da vasta obra desse maravilhoso autor. Recentemente me vi recomendando-o para minha filha como antídoto para as dificuldades da adolescência. Nunca me canso de reler um bom livro, com dimensão humana e bem escrito sob todos os pontos de vista. Precisamos resgatar Veríssimo, que hoje é ofuscado pela obra também importanto de seu filho. Reencontrar Clarissa e Vasco e outras personagens dessa galeria pode ser um bom caminho.

O romance da ciência – de Carl Sagan.

24 abr

Carl Sagan foi responsável por ter apresentado a ciência séria a duas gerações e foi um dos maiores lutadores contra as pseudociências tão valorizadas nos EUA. Este livro aborda alguns elementos fascinantes na trajetória do aprendizado humano sobre o universo. Pode até ser datado, mas foi com ele que meus olhos se abriram para dimensões que passavam muito longe da vidinha provinciana de Jundiaí e sou sempre grata por ter crescido ao lê-lo. É isso que um bom livro faz!